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A Polícia Civil de Guarulhos realizou nesta quinta-feira, dia 15, a Operação Efeito Colateral, focada na investigação de fraudes milionárias contra operadoras de planos de saúde.


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O esquema envolvia a criação de "clínicas fictícias", onde os sócios contratavam os serviços das operadoras enquanto figuravam como beneficiários dos próprios planos. Através de pedidos médicos falsos, solicitavam reembolsos por procedimentos que nunca ocorreram. Segundo estimativas da Polícia Civil, o prejuízo causado pode ultrapassar R$ 2,5 milhões.


A operação resultou no cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Guarulhos. Foram confiscados quatro réplicas de armas de fogo, 45 celulares, 56 cartões bancários, sete notebooks, duas CPUs e R$ 4,4 mil em dinheiro. Não houve prisões até o momento.


Em nota oficial, a polícia afirmou que as investigações continuam para determinar o nível de envolvimento de cada suspeito no esquema.


Prejuízo Milionário Rodolpho Heck Ramazzini, diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate a Falsificações e Fraudes (ABCF), destacou que, embora a operação tenha como alvo um grupo específico, o esquema é sofisticado e pode estar conectado a outras organizações criminosas. "Infelizmente, muitas pessoas estão envolvidas nesse tipo de prática", afirmou.


Ele também comentou que, nos últimos seis meses, as denúncias de fraudes feitas por operadoras de saúde à associação aumentaram significativamente. Após verificação das queixas, a entidade as encaminha às autoridades competentes, que tomam medidas como a operação desta quinta-feira.


A SulAmérica, uma das operadoras vítimas do esquema, confirmou sua participação no caso, mas não forneceu mais detalhes devido à investigação em curso.


A fraude por reembolso não é a única praticada contra o sistema de planos de saúde. Outros tipos incluem a emissão de boletos falsos, a falsificação de laudos médicos e o fracionamento de recibos.


Em 2023, as operadoras de planos de saúde gastaram R$ 10 bilhões com reembolsos fraudulentos, de acordo com a Associação Brasileira dos Planos de Saúde (Abramge). A ABCF afirmou que todas as operadoras foram prejudicadas de alguma forma.


No total, as fraudes ocorridas em 2023 geraram um prejuízo de R$ 34 bilhões para as operadoras, segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Esse valor corresponde a aproximadamente 12,7% dos R$ 270 bilhões faturados no ano passado pelas 14 maiores empresas do setor.


"Essas fraudes geram prejuízos milionários, lavam dinheiro do crime e impactam consumidores honestos, que podem sofrer com reajustes nas mensalidades dos planos de saúde", ressaltou Ramazzini, apontando que os aumentos são calculados com base nos gastos do ano anterior.