ANS propõe novas regras para limitar franquia e coparticipação em planos de saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pretende estabelecer limites para a cobrança de franquia e coparticipação nos planos de saúde. A proposta, que traz mudanças significativas na regulação dos preços do setor, será submetida a uma audiência pública no próximo dia 7.
O diretor de Normas e Habilitação de Produtos da ANS, Alexandre Fioranelli, definiu a proposta como um ?combo? de medidas integradas, com o objetivo de evitar distorções que podem surgir de ações isoladas. Entre as novas diretrizes, destacam-se:
Segundo a ANS, operadoras com desequilíbrio econômico-financeiro poderão aplicar esses reajustes acima do teto estabelecido, desde que atendam a critérios específicos. No entanto, essa prática é criticada pela advogada Marina Paullelli, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que alega que ela infringe o Código de Defesa do Consumidor (CDC).
?Esse tipo de reajuste coloca o consumidor em desvantagem e autoriza mudanças unilaterais nos preços. A solução está na melhoria da gestão e em maior transparência para evitar desequilíbrios?, afirma Paullelli.
A possibilidade desse tipo de reajuste já existia, mas a aplicação foi suspensa após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Especialistas têm visões divergentes sobre a medida. Vinicius Figueiredo, do Itaú BBA, acredita que ela pode aliviar operadoras deficitárias, mas não resolve o problema estrutural. Gustavo Vilela, da consultoria KPMG, aponta que a regulamentação pode equilibrar o setor, mas alerta para o risco de aumento de preços para os usuários.
?O desafio é equilibrar o custo para que o setor continue viável sem tornar os planos inacessíveis?, destaca Vilela.
Por sua vez, o advogado Rafael Robba, especialista em Direito à Saúde, alerta para o uso cuidadoso do reajuste técnico:
?Se essa prática for amplamente adotada, corre-se o risco de se transformar em reajustes por sinistralidade, como ocorre nos planos coletivos, sem limites claros.?
A proposta também sugere a criação de uma cláusula padrão para o reajuste dos planos coletivos, buscando dar mais transparência ao consumidor sobre o cálculo dos aumentos. Atualmente, os reajustes são definidos entre as operadoras e as empresas contratantes, ou pelas administradoras nos contratos por adesão.
Outro ponto da proposta é ampliar o número de usuários dos planos para PMEs, atualmente limitado a 29 pessoas, com o objetivo de diluir riscos e promover reajustes mais equilibrados.
A audiência pública também discutirá a regulamentação de planos exclusivamente ambulatoriais, conhecidos como cartões de desconto, que oferecem consultas e exames, mas não cobrem internações hospitalares.
?Cerca de 60 milhões de pessoas usam cartões de desconto por falta de alternativas acessíveis. A ideia é criar regras claras e garantir coberturas mais amplas e seguras para esses consumidores?, explica Paulo Rebello, presidente da ANS.
O texto ainda propõe a criação de critérios específicos para a venda de planos pela internet, obrigando que os contratos estejam disponíveis on-line para facilitar o acesso dos consumidores a diferentes opções.
A proposta foi aprovada na última reunião da diretoria colegiada da ANS e será debatida na audiência pública. Após o processo de consulta, a agência decidirá se levará adiante a regulamentação.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) informou que só se pronunciará após a publicação do edital oficial. Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) avaliou a iniciativa da ANS como positiva.